CADE terá que aprovar Nova Casas Bahia

Empresa que surge da fusão com o Pão de Açucar é maior do que os dois principais concorrentes somados.
  
Depois de três meses de discussões, os grupos Casas Bahia e Globex anunciaram na semana passada a fusão de suas operações, formando a maior rede varejista do País, com mais de 1.500 lojas. Nesta quarta-feira, advogados dos dois grupos apresentaram oficialmente ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) os detalhes do acordo, para provar que a união entre ambos não coloca em risco a concorrência no setor. O Conselho ainda precisa aprovar o negócio.

O documento entregue ao CADE deixa em aberto ainda a possibilidade de desfazer o acordo, caso seja identificado qualquer problema no campo da concorrência no setor de varejo. A fusão entre as duas redes resulta numa nova empresa, chamada "Nova Casas Bahia", cujo faturamento irá superar a soma de seus dois principais concorrentes, Carrefour e Wal-Mart.

Pelo novo acordo, os sócios da Casas Bahia (Família Klein) passarão a ser titulares de 47% do capital social da Globex, pertencente ao Grupo Pão de Açúcar e dona das redes Extra Eletro e Ponto Frio. "Foi uma negociação longa, dura, muitas vezes tensa e desgastante", disse o presidente do Pão de Açúcar, Abilio Diniz. O contrato anunciado em dezembro havia sido questionado pela família Klein. "Tivemos de decidir entre a hipótese de execução do contrato ou a renegociação. Optamos pela renegociação e seguimos pelo caminho certo", comentou Diniz.

Uma das principais divergências era em relação à avaliação do patrimônio da Casas Bahia envolvido na fusão. Para os Klein, houve uma sub-avaliação de cerca de R$ 2 bilhões. Para resolver esse ponto, o Pão de Açúcar concordou em aportar mais R$ 689,8 milhões na nova empresa. Outro questionamento dos Klein dizia respeito ao valor dos aluguéis dos imóveis que serão alugados para a Nova Casas Bahia. Na renegociação, o valor anual dos aluguéis foi elevado de R$ 130 milhões para R$ 140 milhões nos três primeiros anos de contrato. A partir do quarto ano, o valor será reajustado pela inflação ou pelo valor correspondente a um porcentual de vendas brutas, o que for maior.

Houve também uma redefinição da forma de venda das ações da empresa pela família Klein. No acordo anterior, essa venda só poderia ser feita de forma escalonada. Agora, a venda pode ser feita de uma só vez, após um prazo de dois anos da assinatura do acordo. "A nova empresa nasce capitalizada, com baixo endividamento e com linhas de crédito à disposição, inclusive por novas modalidades que antes não eram utilizadas pela Casas Bahia", disse o presidente executivo do Pão de Açúcar, Enéas Pestana. Ele afirmou que os ganhos com as sinergias operacionais resultantes da associação com a Casas Bahia "já podem ser capturados este ano".

Outra mudança no acordo envolveu as operações de e-commerce, com o aumento da participação da Casas Bahia no segmento eletrônico de vendas. "Procuramos alinhar os interesses sobre o comércio eletrônico, que traz certa concorrência com o varejo físico. O controle da pontocom é feito agora pela sociedade, não pelo Grupo Pão de Açúcar sozinho", afirmou Pestana.
Fontes: Reuters e O Estado de S.Paulo

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